O meu negócio está envelhecendo? O desafio de empreender num mundo em mudança.

Sem dúvidas vivemos num mundo em mudança. A velocidade dessa mudança está cada vez mais acelerada, de forma que nos tornaremos obsoletos mais rápido que as gerações passadas. Mas não sabemos bem como empreender neste contexto. Por isso, resolvi compartilhar aqui algumas reflexões que elaborei ao longo desta jornada no Programa ALI. Uso como base duas ótimas palestras que tive a oportunidade de assistir, do empresário Guga Schifino e do administrador e consultor Claudio Forner.

MUDANÇA NO MODELO EMPRESARIAL

Olhando para trás é fácil perceber que o modelo empresarial de sucesso tem mudado radicalmente. Antigamente a referência na área de negócios eram megacorporações, sólidas, rígidas e formais. Os executivos se fechavam em cúpulas para tomar decisões, investindo em Pesquisa e Desenvolvimento para guardar a sete chaves suas fórmulas secretas e “garantir” o sucesso dos produtos ao chegarem no mercado.

Atualmente a grande referência empresarial é o modelo das startups, empresas enxutas, dinâmicas, flexíveis e despojadas, nas quais colaboração é a palavra de ordem. Equipes são envolvidas na tomada de decisão, e são desenvolvidos testes com base no MVP, entendendo o erro como parte do processo de inovação.  Você pode ler um pouco mais sobre essas tendências futuras aqui.

Se no pós-guerra o paradigma das empresas era a busca pela qualidade total, hoje a qualidade é o mínimo que uma empresa pode oferecer. As relações de consumo mudaram. As empresas precisam entregar muito além da qualidade. Para ter competitividade no mercado e estar alinhado às necessidades dos clientes é essencial proporcionar experiências e fornecer transformação.

Essas evoluções também interferem em como as empresas se comunicam e se posicionam. Marcas são continuamente atualizadas, empresas investem na criação de mascotes para humanizar e personificar seu branding. As propagandas buscam transmitir valores que transcendem os produtos vendidos, você pode ver bom exemplos aqui.

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As próprias ferramentas de comunicação evoluíram exponencialmente, com a expansão para novos canais online, a tendência omnichannel, estratégias de inbound marketing, etc.

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

Assim como as corporações mudaram, as pessoas também mudaram. Atualmente os jovens, descritos pelos termos Geração Y, Millennials e Nativos Digitais, já são uma faixa expressiva no mercado de trabalho e de público consumidor. Estipula-se que, em 4 anos, 75% do consumo do mundo será dos Nativos Digitais. É importante compreender o perfil dessa geração, pois eles já são e serão cada vez mais boa parte dos clientes, funcionários e até mesmo outros empresários. Você pode saber mais sobre como lidar com esse novo perfil aqui.

Esse vídeo apresenta muito bem como os jovens Millennials quebram paradigmas das gerações passadas, tendo uma relação totalmente diferente com o trabalho e outras aspirações. Essa geração é extremamente conectada, livre e busca prazer em tudo que faz. Não se estimula por projetos a longo prazo, acredita que o futuro é agora e precisa de feedbacks constantes.  Críticos e engajados, querem mudar o mundo – desde que aproveitem o processo.

O MEU NEGÓCIO ESTÁ ENVELHECENDO?

Proponho fazermos aqui o exercício de reflexão sugerido pelo Claudio Forner em sua palestra:

Como era sua vida sete anos atrás? Como eram seus hábitos, sua rotina, seu perfil de consumo?

Depois pense em como é sua vida hoje, hábitos, rotina, consumo, o que mudou e como as pessoas à sua volta também mudaram.

Agora reflita sobre seu negócio: quanto ele mudou nos últimos 7 anos? Faça uma comparação.

Se sua vida mudou mais que seu negócio, pode acender o sinal amarelo! Esse é um indício que seu negócio pode estar ficando para trás, que ele está envelhecendo.

É no presente que as empresas se estruturam para não ficarem ultrapassadas no futuro! Hoje e agora é o momento para entender as demandas e as novidades e projetar o amanhã do negócio. Cada mês perdido sem inovações e melhorias é um mês em direção ao envelhecimento da empresa.

O processo de envelhecimento acontece quando a empresa fica estagnada e ignora as mudanças do mercado, das tecnologias e do comportamento dos clientes. Enquanto isso, outros negócios mais atentos e com maior capacidade de implementação ficam mais alinhados com as necessidades da atualidade. Assim acontece o fenômeno de migração de clientes. Eles não necessariamente deixam de consumir, mas mudam seu perfil de seu consumo, gradativamente abandonando os negócios envelhecidos.

Não entendeu? Vou desenhar exemplificar! 

A academia de bairro Fortinhos S.A. não teve grandes mudanças no seu modelo de negócios, nem inovações implementadas nos últimos sete anos, apenas reparos. Entretanto, os clientes e o mercado mudaram muito, houve a inserção do modelo low cost no Brasil, ascensão de novas modalidades como o cross fit, aumento da busca por resultados e bem-estar integrado. Com isso a Fortinhos teve uma queda considerável no faturamento, mas boa parte dos seus antigos clientes não deixaram de consumir, apenas migraram para outros negócios ou produtos que os atendem melhor.

Casos como a migração do serviço de táxis para o serviço da Uber, por exemplo, mostram que nenhum mercado está blindado a novidades e a negócios substitutos, mesmo os mais controlados.

Portanto é essencial ficar atento para acompanhar (ao menos tentar acompanhar) o mundo em constante mudança, e saber se adaptar. Assim como olhar criticamente para o seu negócio e identificar se ele está envelhecendo.

E, se seu negócio está realmente envelhecendo, não se desespere! Como a mudança é uma constante, é possível recomeçar e se reposicionar para o futuro. A dica é começar entendendo as tendências, o contexto do seu mercado e, principalmente, focar no seu cliente! O que mudou na vida deles? Que novas necessidades surgiram? Dessa análise e imersão podem surgir ótimas ideias para começar a projetar o seu negócio de amanhã.

 

Você acha que o mundo está em mudança? Como isso impacta no seu negócio? Conte suas experiências aqui nos comentários! Gostou do texto? Compartilhe!

 

QUEM É A THAÍS?

ALI entusiasta da aplicação do design nos mais diversos contextos, acredita que pode usar a inovação, o empreendedorismo e o sorriso para transformar o mundo em um lugar melhor.

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Onde começam meus problemas? A ilusão de que funcionários são a fonte de tudo

Há 21 meses eu venho acompanhando micro e pequenas empresas (MPEs) em um programa que objetiva o desenvolvimento de uma cultura de inovação e percebo que o mesmo discurso se repete: “meus funcionários não se envolvem”, “não consigo fazer nada de diferente porque meus funcionários não correspondem”, “não posso delegar nada porque meus funcionários não sabem fazer”, “não posso contar com meus funcionários” e outras coisas mais. Esse discurso vicioso me faz refletir diariamente se o problema está realmente nos funcionários ou se está nas práticas comuns de gestão de pessoas das MPEs.

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Se você é um pequeno empresário, sugiro a você uma auto avaliação antes de reproduzir as reclamações exemplificadas acima:

  • Você conhece os processos da sua empresa e sabe as competências necessárias à execução de cada uma das atividades? Isso facilita a definição de um perfil mais assertivo a ser buscado no mercado.
  • Onde você busca os profissionais e como os seleciona? Será que aquela única, boa e velha indicação é realmente a melhor saída? É preciso recrutar de maneira diferente para esperar perfis diferentes.
  • Antes de contratar, você avalia apenas o que está escrito na carteira de trabalho ou você faz uma avaliação psicológica, comportamental e técnica do candidato de acordo com as necessidades da vaga? Cuidado pra não selecionar aquela pessoa que representará apenas um vale-transporte mais barato!

Essas são perguntas que sugerem reflexões a respeito do grande processo de agregar as pessoas à sua organização, momento que percebo ser deixado de lado pelos empresários das micro e pequenas empresas. Por mais que os recursos das MPEs sejam mais limitados que os dos grandes players do mercado, vejo possibilidades de refinamento e formalização dessas atividades sem grandes custos. Algumas boas práticas são: formalização das descrições de cargos; levantamento de competências necessárias ao cargo; elaboração de roteiro de entrevistas, baseando nas competências levantadas; realização de mais de uma entrevista, envolvendo outros da atual equipe da casa; e contratação de uma empresa especializada em recrutar e selecionar pessoas.

Recrutar e selecionar as pessoas mais adequadas é o início de tudo! É claro que temos outros diferentes macroprocessos a serem atentados após a entrada do funcionário, mas são assuntos para posts futuros. Hoje, atente-se ao que você está fazendo para trazer a melhor equipe para sua empresa e reflita onde está realmente a fonte dos seus problemas, se é que existe uma fonte apenas.

Até breve!

QUEM É A MARIANA?

Psicóloga que resolveu se aventurar no mundo da inovação e empreendedorismo, e acabou entendendo que a Psicologia tem muito mais conexões que muitos imaginam.

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